sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

(Des)encontros


       Ana e Fred se conheceram há pouco mais de dois anos. Todos dizem que eles foram feitos um para o outro. E eles realmente eram. Antes eles eram mesmo como arroz e feijão, macarrão e molho ao sugo, bife e batata frita, enfim, o par perfeito. Mas agora Ana não é mais aquela garotinha ingênua que sonhava em se casar na mesma igreja em que seus pais. Não agora que descobrira que o pivô da separação foi a belíssima secretária ( e amante há cinco anos) de seu pai, talvez ela nem mais acredite em casamentos felizes e o Nerd tímido do Fred tem se revelado o cara mais popular do curso de ciências da computação, desde que ela o ensinara a tocar violão. O tempo veio e o inevitável aconteceu, a mudança. Eles não estão melhor nem pior, apenas diferentes. 
      Não que eles não se amem mais, ou não se admirem, mas as ideias já não combinam tanto. Ana quer mar e Fred a sombra da praia. Fred quer se mudar para o exterior e ganhar o mundo enquanto Ana não consegue se ver longe da sua amada cidadezinha pacata. Ambos perceberam que o tempo passou e o prazo de validade venceu. Não é fácil aceitar que as mesmas características que te atraíram em alguém hoje te incomodam a ponto de te afastar. Chegou a hora mais difícil do amor, a separação. Eles escolheram assim, em uma tentativa de evitar possíveis desgastes (des)necessários, brigas e culminar em ódio ou inimizade. Há quem diga que eles estão desistindo do amor sem lutar. Mas para Ana esse é o chamado "mal necessário", ela insiste que prefere lembrar de seu amor como um capítulo bom e querido em sua história antes que ele vire o vilão protagonista das suas ligações intermináveis com a melhor amiga. Surpreendentemente, nisso Fred concorda. 
     Lágrimas correm nas faces e abraços sem fim entre os pombinhos que precisam voar para outros ninhos nesse momento. Mas por que? Se não houve traição ou algo do tipo?! Simples. Porque a vida (real) tem dessas coisas. Muitas vezes precisa-se abrir mão do outro, fazer a Olx e desapegar, isso também é um ato de amor. Quando se ama de verdade, preza-se principalmente a felicidade desse alguém. Fred e Ana ainda não estão maduros o suficiente para abrirem mão de seus sonhos e ideais sem cobranças futuras. Chegou a hora de cada um seguir o seu caminho, escreverem mais capítulos de suas histórias, agora separados. Não fora perda de tempo, nada é. Ana sempre levará uma parte de Fred, as barras que eles seguraram juntos, as risadas sem motivo no sofá da sala, assim como ele lembrará das lições que aprendera com ela. O que acontecerá no futuro? Na verdade, não tem como saber. Talvez Ana prove outros molhos de macarrão e descubra que o bife também fique bom com purê de batata, ou ao provar diferentes sabores eles compreendam porque justamente esses são sempre lembrados como a combinação perfeita. Pode ser que em meio aos outros (des)encontros eles se reencontrem e realmente se encontrem quando e/ou se os caminhos se (re)estreitarem algum dia. Mas por ora, Fred e Ana são gratos, por Deus e pela vida, por terem tido um dia a sorte de se encontrarem e viverem o tudo que viveram juntos, Fred sempre terá inveja do homem ao lado de Ana em seu íntimo e ela deseja que ele encontre alguém que o faça o cara mais feliz do mundo, mas torce para que a sortuda ainda seja ela. Afinal, no quesito amor, todo ponto que não seja final, vira reticências. 
     Se nessa história eles terminarão juntos só Deus e o tempo dirão, mas eles sempre se lembrarão como um "e foram felizes".
Scarleth Menezes     

9 comentários:

  1. Perfeito o texto. Isso acontece demais, aconteceu comigo (levei um pé na bunda - acho que por esse motivo de mudanças pessoais), em razão da idealização de um amor romântico. Promessas e juras de amor no início, e no final uma tremenda confusão de sentimentos e inseguranças. Entretanto, não se deve perder o respeito que ambos merecem dentro da relação, ainda que ambos tenham mudado, um para o outro. Mas isso faz parte da vida, do aprendizado de cada um. Quanto a um possível reencontro, pode ser que aconteça, mas extremamente raro, porque a vida é muito complexa e os caminhos dos barcos se rumam de modo ímpar e depois se perdem, um para o outro. Que fiquem os sentimentos bons e alegres, que os erros cometidos sirvam para o amadurecimentos de ambas as partes. Infelizmente, se não se toma uma decisão de rompimento, o dano pode ser bem grande para os dois. O que importa é respeitar durante o término, pois ninguém (quase sempre) tem culpa do que mudou, pois é incontrolável. Hoje sou muito feliz com o que passou, não vi meu exnamorado mais. Já superei, namorei outros carinhas, vivo aprendendo... isso que importa. Respeito sempre, não vale humilhar pra sair por cima.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Faço das suas, minhas palavras. Seria ótimo se pudéssemos escolher quando vai chegar o fim, mas ele apenas vem e temos de tentar lidar da melhor forma possível.Minha mãe sempre fala que somos pessoas preparando pessoas para outras pessoas (faz sentido) até que encontramos "a pessoa", até lá vamos vivendo.rss Obrigada Letícia pelas palavras e pela visita. Volte sempre. Todo dia tem mais um texto.

      Excluir
  2. Também acho bem melhor terminar enquanto podemos conservar o respeito e a amizade. Já fiz isso com uma ex namorada e não me arrependo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Parabéns pela sua atitude, precisamos de mais pessoas assim. Obrigada pela sua visita. Volte sempre!

      Excluir
  3. Linda história, estou realmente torcendo para eles voltarem algum dia.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tenho que confessar que eu também, mas acima de tudo torço para que sejam felizes e conquistem seus sonhos, juntos ou separados.
      Obrigada pela visita. Volte sempre!

      Excluir
  4. Você só pode ter lido meu diário. Estou passando por isso agora mesmo, não está sendo fácil, mas sei que foi o melhor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você me pegou rss. Espero que acabe tudo bem, tem coisas que só entendemos o "porquê" no futuro, mas nada é por acaso.
      Obrigada pela visita. Volte sempre!

      Excluir
  5. Adorei! Sempre faço os boys de vilões das conversas com a amiga, porque dá força pra terminar algo que não dá mais certo. Muitas relações acabam, infelizmente cada indivíduo tem sua bagagem: passado, experiência... nesse caso do estilo de vida diferente, fica ainda mais difícil acertar, o que pode acontecer é as duas pessoas se esforçarem ao máximo, mas isso não garante sucesso, por isso já estou optanto por não insistir tanto. Lindo Scarleth!

    ResponderExcluir

Leia Também

Mais lidos