segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A culpa é das cores


     Hoje em dia se você entrar numa loja de brinquedos procurando um presente para uma criança, a primeira pergunta que eles fazem é "menino ou menina?" e logo após perguntam a idade.
Se você responder menino é levado à seção masculina com bolas, carros, caminhões, bonecos de ação, a maioria azul, verde ou no máximo amarelo. Se você responder menina, eles te levam ao reino feminino cheio de bonecas, ursos de pelúcia, barbies. casas, e utensílios feitos para as pequenas: panelas, ferros de passar, tudo nas cores rosa, lilás, azul claro ou amarelo.
     Se você precisa algo da sessão de esportes dificilmente achará algo direcionado ao público infantil feminino, até os jogos são separados por sexo. Temos o quebra-cabeça da Barbie ou do Hot Wheels, não poderia ser apenas um quebra cabeças? Por que uma menina não teria prazer ao montar um quebra cabeças de um carro antigo famoso? Por que um menino não pode brincar com as panelinhas?! E se ele sonha em ser um chef de cozinha?!
     Por que insistimos em rotular e separar os brinquedos e brincadeiras por sexo, o menino é matriculado no futebol e a menina no balé, e depois exigimos que o homem entenda a igualdade com sua parceira. Na escola a professora direciona as cores com que devem colorir a roupa dos personagens do livro: "Azul, verde ou amarelo para o menino e vermelho, rosa ou amarelo para a menina", ela diz impetuosa. A culpa não é dela, ela foi ensinada assim e acredita que a atividade lúdica no recreio basta para uma sociedade mais humana e igualitária. Ledo engano!
    A mesma mulher que luta arduamente pela igualdade no ambiente profissional, em casa contribui para mais uma geração sexista. O menino não tem que ser jogador de futebol e a menina bailarina, eles tem o direito de ser quem querem ser. O azul não é uma cor masculina, é a cor do céu. O rosa é apenas uma mistura de vermelho com branco e todos temos o sangue vermelho. Não é a cor da roupa que indica o sexo, a cor do enxoval do bebê não influencia suas escolhas quando adulto. Um homem não deveria se sentir mais ou menos homem por vestir rosa ou lilás sem se sentirem incomodados, afinal a cor não tem nenhum significado.

O culpado não é só o homem que é machista, ou a mulher que é feminista, mas a sociedade que infelizmente ainda está alienada.

Quem deve cozinhar? Quem tem fome. Quem deve lavar a louça? Quem sujou. Quem deveria limpar a casa? Quem mora na casa. Quem deve cuidar dos filhos? Quem está com o tempo livre. Quem vai trocar o pneu? Quem estava dirigindo. Simples assim.

     O pote de ouro só sera encontrado quando percebermos que o arco íris está além das cores, e o caráter além do sexo. Será que para atingirmos a igualdade, teremos de pintar todo o mundo de amarelo??

Scarleth Menezes 

9 comentários:

  1. Bom texto. Cabe a cada um de nós lutar para mudar isso. É uma luta árdua e diária, mover preconceitos.

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    1. Obrigada. Infelizmente nem todos concordam e aceitam que a luta pela igualdade se faz cada vez mais necessária.

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  2. - Qual o problema em ter homens e mulheres desde o surgimento da humanidade?
    - Qual o problema em se diferenciar os homens das mulheres conforme é da natureza humana?
    - Porque não Mulheres com sua feminilidade natural e homens com sua virilidade natural?
    Será que vale a pena insistir (só porque é politicamente correto)em mudar a natureza das coisas e da humanidade?

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    1. A luta pela igualdade é válida quando muitas mulheres exercem a mesma função de um homem por um salário inferior apenas por "não ser de sua natureza". Não acredito que ela deva ser mudada de exceção para regra, mas em alguns campos da vida, com equilíbrio, principalmente no profissional, ela se faz necessária.

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  3. Não concordo com você, quando diz que a professora separa cores conforme o sexo, porque foi ensinada assim. Os cursos de pedagogia, ou pelo menos o que eu frequentei nos preparam muito bem para lidar com o assunto gêneros. Além do que, costumamos deixar as crianças livres em suas criações, desenhando e colorindo, como quiserem, sem direcionamento de cores.

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    1. Na nova escola, modelo novo de pedagogia a liberdade e a autonomia são a palavra chave,também tive essa formação, porém ainda temos muitas educadoras que trazem consigo a bagagem antiga da velha prática tradicional e não aceitam que às vezes a mudança se faz necessária. È preciso filtrar os pontos positivos de ambas as práticas e encontrar um equilíbrio entre elas.

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  4. Mais uma vez voce brilha e não só na cor rosa, um verdadeiro arco-iris se abre para seus textos a cada dia..escreva sempre assim pois precisamos de um mundo 'colorful'...rsss

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    1. Obrigada querida Andrea, espero continuar brilhando e tornando mais colorfull os seus dias rss

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  5. Por gentileza, rever o trexo do texto "
    O culpado não é só o homem que é machista, ou a mulher que é feminista", pois, normalmente já existe uma grande confusão com o que causa grande oposição injusta a nossa luta, portanto, por favor ñ contribuir para acentuar isso. Obrigada e no aguardo.

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